“Não nos podemos esquecer que temos uma excelente Fundação Rotária em Portugal”
Como vê o Rotary hoje em função da sua história e dos princípios que estiveram na sua origem?
Como sabemos, Rotary foi fundado há 106 anos por Paul Harris e um grupo de amigos, numa génese de companheirismo e para responder a uma falta de diálogo e entendimento entre as pessoas. Baseou a estrutura de Rotary nas profissões e daí cada um de nós ter uma classificação rotária de acordo com a profissão de cada um. O companheirismo, a oportunidade de servir, a difusão da ética profissional, são as bases do movimento, sempre com uma componente de acção virada para a comunidade.
Esta acaba por ter outra expressão quando em 1917 é fundada a Rotary Foundation, sendo que o realce do movimento nos nossos dias é o combate à poliomielite. É também por isso que o presidente de Rotary Internacional está a associar as comemorações do aniversário às comemorações dos resultados da luta. No dia 23, em todas as bolsas da América do Norte e da Europa tocar-se-ão os sinos pelo êxito da luta contra a Polio, sendo que em Lisboa o presidente de RI delegou a sua representação no PG Henrique Pinto.
Na sua opinião, o que podem os rotários empreender para fazer deste um movimento cada vez melhor?
Se compararmos a realidade de 1905 com a realidade de hoje não têm nada a ver uma com a outra, nomeadamente no que diz respeito à globalização e às novas tecnologias que estão à nossa disposição. Rotary Internacional chega muito mais facilmente até nós e as circunstâncias são diferentes. Daí que o próprio Rotary tenha lançado um novo projecto através dos programas piloto, nomeadamente do “associado adjunto”, do “associado corporativo”, do “clube satélite” e do “inovação e flexibilidade”.
O Rotary tem que definitivamente virar-se para as novas gerações: há mais de 20 anos que temos um milhão e duzentos mil sócios e não passamos dai. Rotary tem que inovar e esta “inovação e flexibilidade” aponta para o recrutamento de novas gerações. Não nos podemos esquecer que o segundo século de Rotary está nas mãos das novas gerações, que devem ser para nós um campo de recrutamento especial.
A juventude actual tem valores e está ávida de prestar serviço. Se conseguirmos dosear inovação e flexibilidade com a experiência dos rotários mais antigos, conseguiremos um Distrito muito forte. Enquanto neste momento o nosso nível de exigência aponta muito para a reunião semanal e para a assiduidade, temos que começar a pensar se não será melhor colocar em primeiro lugar o comprometimento nos associados, com destaque para a acção na comunidade e à realização de projectos com visibilidade e sustentabilidade.
Penso que o projecto de inovação e flexibilidade como programa piloto aponta neste sentido, como aponta também no sentido de actualizar a linguagem rotária, de mexer nas exigências das pessoas que vão ser admitidas e sobretudo na criação de líderes. Não há clube ou distrito que singre em Rotary se não tiver liderança, é preciso descobrir onde estão os líderes, que os formemos e responsabilizemos por essa mais-valia, no sentido de todos os clubes não terem os constrangimentos que hoje estamos a atravessar. Quando chega o momento de elegermos novos dirigentes, nomeadamente presidentes de clubes, há muitos problemas numa percentagem demasiado elevada de clubes do Distrito. Isto é um sintoma por termos descurado nos últimos anos na formação de líderes.
Devemos também fazer um esforço para divulgar as nossas actividades, que são muitas e válidas, na comunicação social. Não nos podemos esquecer que temos uma excelente Fundação Rotária em Portugal, a maior instituição no que diz respeito a bolsas de estudo. É um valor inestimável, pese embora o que possa ter que ser emendado, tem um trabalho que deve ser sempre reconhecido.
Entendo que os Governadores Assistentes têm que ser cada vez mais chamados a actuar junto dos clubes que estão na sua alçada. O trabalho desenvolvido pelos meus Governadores e pelas minhas Governadoras foi espectacular. Quero sobretudo dizer que os encontros periódicos de formação de Governadores Assistentes foram jornadas e eventos muito bons e pena foi que nem todos pudessem ter tido possibilidade de estarem presentes porque a sua influência na vida interna dos clubes, o apoio, o esclarecimento, pode ser a solução e evita muitos problemas no futuro.
Como vai este ano assinalar o aniversário do Rotary?
Deleguei no nosso PG Henrique Pinto a minha representação na cerimónia da bolsa de valores de Lisboa, sendo que também é representante do Presidente de RI. Irei celebrar o aniversário de Rotary em primeiro lugar interiormente, pela satisfação que sinto por ter sido escolhido pelos meus companheiros para durante este ano exercer as funções de Governador. Em segundo lugar irei fazer a Visita Oficial do Governador ao Rotary Club de Oliveira de Azeméis.
No mesmo dia este Clube também comemora o seu aniversário, sendo esta uma terceira forma de comemoração. Em quarto lugar, assinalo com a distribuição da minha carta mensal de Fevereiro por todos os clubes do Distrito.

